sexta-feira, 9 de março de 2012

I've got style, baby

(and i've got the moves like Jagger)


 
tem coisas que são tão perfeitas, que a gente tem medo de mudar.
porque por definição o que já é perfeito não pode melhorar.
e se não é possivel melhorar, então qualquer mudança estragaria, certo?  

errado.

é possível mudar uma coisa perfeita e ela não estragar.
além de continuar perfeita, fica melhor. 
fica ainda mais perfeita.

(tipo um perfectER, sabe?)



ps: quem não entendeu, faz favor de assistir o filme Napoleon Dynamite. pouco interessa se você vai gostar ou não do filme. apenas assista. entenda que não dá pra viver nesse mundo sem ter tido essa experiência.

a cena original tem a música do Jamiroquai. eu troquei por esse som do Maroon 5. e o que já era perfeito ficou mais perfeito ainda.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

pílula azul x pílula vermelha da matrix

Andaman Islanders 'forced to dance' for tourists

The Jarawa tribe have lived in peace in the Andaman Islands for thousands of years. Now tour companies run safaris through their jungle every day and wealthy tourists pay police to make the women - usually naked - dance for their amusement. This footage, filmed by a tourist, shows Jarawa women being told to dance by an off-camera police officer.



pra mim isso foi cruel, desrespeitoso e humilhante. francamente degradante e deprimente. ponto final.

agora passemos ao próximo pensamento: eu realmente creio que existe a possibilidade de que aquelas mulheres não estejam nem aí pra isso que eu chamo de humilhação e tenham ficado felizes de ganhar comida só chacoalhando o corpo ao invés de ter que ir até o alto da montanha pra catar o que quer que seja pra comer.

veja bem: obviamente isso não justifica nada do que foi feito. jamais!

no mundo ideal seria possível uma interação mais respeitosa entre as culturas e cada ser humano seria valorizado e tratado com a reverência digna do milagre da vida. juro que eu penso mesmo assim.

o fato é que se coloca aí um impasse incrível, visto que o mundo ideal ainda não está em vigor.

como faz quando um povo que está  'em paz' por séculos é 'descoberto' pelo mundo globalizado?
quem é que escolhe se aquele povo deve abrir mão da sua 'paz' pra ter tecnologia, alimentos, remédios, conforto, junto com exploração, perda de valores culturais, competição, lei do capital e tal e coisa?
quem decide o que é respeitoso?
quem decide o que é necessidade humana?
é comida e água limpa ou antibiotico e analgésico?
é chiclete e marlboros ou internet e sapato de couro italiano?

fiquei achando que a escolha que eles tem que fazer é meio parecida com a nossa de todo dia.
claro que não dá pra eles saberem o quanto vai custar a 'assimilação cultural' de antemão, mas quem é que sabe o quanto vai custar conhecer um mundo diferente?

eu estava bem tranquila, na minha paz, dormindo feliz no meu lençolzinho de malha e meu travesseiro de poliester, até que veio alguém e me mostrou a linha de cama de mil fios e um travesseiro de plumas. e agora?

eu tomava nescafé toda manhã e não tinha dor de estômago com a acidez, até que minha amiga me deu uma máquina de nespresso. e agora?

eu fazia meus exames médicos num laboratório qualquer, esperava horas e horas e sofria toda a dor que eles causavam, achando que tudo bem, pois era o preço pra cuidar da minha saúde. até que soube que por uma pequena fortuna você pode fazer tudo rapidinho, num mesmo lugar e sem dor, com anestesia local e alguém segurando sua mão. e agora?

será que a gente já não tá dançando pelado pra turista? e feliz da vida?

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Lá vai Maria

ela andava na beira da estrada, elegante.
sabe aquele treino de salto alto das modelos de passarela? com o livro na cabeça?
então, igual.
só que sem salto alto, só de chinelas.
e não um livro. um tabuleiro redondo de madeira escura.
ele servia de base pra uma coleção de frutas, panelas e outros utensílios. tudo parcamente enrolado em panos desbotados em forma de trouxa.
uma criança descalça segurava uma de suas mãos enquanto saltitava pra acompanhar seus passos rápidos. a outra mão envolvia o corpinho de uma criança mais nova, esta com as pernas em tesoura, sentada no quadril da mãe.

fiquei pensando que um grande marcador de civilização é quando as mulheres de um povo perdem essas habilidades. a de carregar matulas na cabeça e a de criar uma filharada pro mundo.



terça-feira, 20 de dezembro de 2011

ou não.

que 2012 traga um pouco de certeza,
pra eu sentir menos medo de tudo.
e que traga também incerteza,
pra que o tédio não me aterrorize.

ou então, ano novo,
a gente também pode fazer assim:
deixa essa poesia cafona de lado,
e me traz um interruptor de foda-se
com acionamento automático.

sábado, 17 de dezembro de 2011

hora do balanço

dar a volta por cima não passou nem perto,
mas até que deu pra levantar e sacudir a poeira.

fiz meu  trabalho o melhor que eu pude. paguei todas as minhas contas.
cuidei de umas pessoas. cuidei de mim. cuidei da minha casa.
não matei ninguém. não morri.

2011 was good enough.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

never mind

querido papai noel,
esse ano eu não quero nenhuma coisa.
graças a deus eu dei conta de comprar tudo que eu precisava.
mas já que é época de pedir graças, vou aproveitar: eu queria ficar mais forte.
até pensei em lhe pedir algum superpoder, mas pensando bem nem é o caso.
acho que só a minha cabeça de volta já dava conta.
muito obrigada.
love, ia

sábado, 26 de novembro de 2011

chove chuuuuuva

esse temporal me fez lembrar do meu outro blog, em outros tempos. eu costumava brincar com o ano de 2009 e chama-lo de dois mil e chove. ou dois mil e love. as vezes virava dois mil inove. as vezes virava dois mil e move.
volta e meio eu lembro de dois mil e nove e me da' um baque pensar que a mudança que eu esperava, queria e temia era ter um filho.
dois mil e nove raios me partam.